Imagine plantar soja, criar gado e colher madeira na mesma área, sem precisar abrir novos campos. É isso que a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) faz. O sistema já ocupa cerca de 17 milhões de hectares no Brasil – quase o tamanho de três países europeus juntos – e continua crescendo.
Em maio de 2024, pesquisadores do G-20 visitaram a Embrapa Cerrados e classificaram a ILPF como “modelo de agricultura tropical sustentável” a ser mostrado na próxima COP 30, em Belém.
O que o produtor ganha na prática
- Mais carne e grãos por hectare – estudos da Embrapa em Mato Grosso registram produção de carne até cinco vezes maior do que a média estadual quando a pecuária entra no rodízio com lavouras e árvores.
- Solo que vira cofre de carbono – medições no Cerrado indicam captura anual de cerca de 18 t de CO₂ por hectare em áreas arborizadas do sistema.
- Animais mais saudáveis – vacas em pastos sombreados chegam a produzir 24 % mais leite nos meses quentes.
Um exemplo que virou vitrine
A fazenda da família Wolf, em Nova Canaã do Norte (MT), alterna soja, milho, arroz, gado e eucalipto em 7 500 ha. Com isso, alcançou lotação de até 12 cabeças de gado por hectare e balanço de carbono negativo na carne, chamando a atenção da imprensa internacional.
Cinco passos para começar
- Diagnóstico – avalie solo, água e histórico de cultivos.
- Desenho do arranjo – escolha a sequência de culturas e a largura das faixas de árvores compatível com seu maquinário.
- Planejamento financeiro – projete o fluxo de caixa de três a cinco anos, incluindo madeira como renda extra.
- Capacitação – treine a equipe em plantio consorciado; a Embrapa e a Rede ILPF oferecem cursos gratuitos.
- Monitoramento – registre custos, produtividade e emissões para ajustar o sistema ano após ano.
Linhas de apoio que facilitam o investimento
- Plano ABC+: quer chegar a 35 milhões de hectares integrados até 2030 e oferece juros subsidiados para quem adota ILPF.
- Crédito Sicredi: a cooperativa projeta liberar R$ 22 bilhões na safra 2025/26, priorizando tecnologias sustentáveis.
Conclusão
A ILPF mostra que dá para produzir mais, diversificar renda e reduzir emissões sem derrubar floresta. Quem começar a planejar agora pode colher ganhos econômicos, ambientais e de mercado já na próxima safra.